quarta-feira, setembro 16, 2026

Dissonante.

 Dissonante:Do latim dissonans, antis, que significa "que soa de modo desarmônico." 

Um adjetivo definidor e ao msm tempo que me tornou uma estranha pra mim mesma. 

Me senti dissonante a vida inteira apesar de mascarar de certa forma e tentar me misturar. 

Adquiri interesses, li livros, criei expectativas, alimentei-as em mim e nos outros, com o único objetivo de fazer parte de algo que não parecia sonoro pra mim. 

Eu tive uma melhor amiga quando eu era pré adolescente e apesar das intrigas pre adolescentes eu tentava constantemente soar igual, ser igual, aprender a me comportar de forma igual. Mas crescíamos em direções opostas e aí veio uma dolorosa ruptura que levou anos pra ser sanada. 

Escrevi uma carta magoada para expor pra ela como que de alguma forma ela se distanciara e se misturara aquelas que eu nunca soube ser. 

Óbvio que saiu pela culatra. Ela se magoou e levou pra si não o problema que tinhamos sobre como nos aproximarmos com as diferenças, e sim todas as coisas horríveis e mal expressas que uma criança de 12/13 anos sabe dizer. 

Passaram- se alguns anos, e nós nos encontramos. 

Eu e ela, unha e carne como se nunca tivéssemos nós separadas. E sou grata, extremamente grata por isso. 

Acontece que os anos passaram vieram namorados, casamentos e nos separamos. 

Me mudei de cidade, ela tbm e apesar de nos vermos. A frequência era pequena , eu fui viver minha vida. Ela a dela , e depois de mto tempo retornamos. 

Mas já não éramos as mesmas. 

Não somos as mesmas. 

A necessidade de agradar o outro, e de tentar ser como o outro ficando evidente e agora uma já  envelhecida e pequena falta de força pra dar um impulso nessa direção. MTA terapia e mta depressão pra ser capaz disso. E que bom também. A farsa para. 

 Tenho me escorregado pelas amizades como a água escorrega e escorre no chão durante a chuva.  

Uma estranha nessas amizades que para mim significavam uma certa dedicação difícil de me transformar em outra coisa palatável. 

Sou uma estranha naquilo que eu não sei mais ser. 

E espero que o que eu seja, seja capaz de alguma forma trazer de volta aquela sensação perdida de conexão, de pertencimento. 

Mas me obrigo agora( sendo mais consciente de mim)  a me sentir livre pra escorrer rumo ao mar, para sentir o penetrante cheiro de geosmina, quando a água toca a terra. 

Me obrigo agora a carregar apenas a mim, e as minhas poucas expectativas ao meu respeito e quem puder e conseguir me acompanhar serei grata. 

Mas serei igualmente grata se nos separarmos no caminho. 

Não tenho mais tempo, de não ser eu mesma pra mais ninguém.

E se dissonante voltar a ser meu adjetivo, que seja, sei que por dentro eu toco uma orquestra espetaculosa de ritmos próprios e que ecoam no universo como a melodia de mim mesma. 



sexta-feira, julho 17, 2026

Fantasia Favorita

 Hoje acordei e resolvi colocar a minha fantasia favorita. 

A mesma fantasia que usei pra esconder as dores e para jogar as coisas para debaixo do tapete. 


 Eu sei que não deveria chamar a fantasia. 

Acho que deveria ser eu mesma apenas. 

Mas como a capa se parece com o livro eu consigo usar ela sem que isso transpareça em algo difícil demais. 

Não sinto mais vontade de viver todos os dias. 

Mas tem dias que eu quero. 

Hoje eu não queria. Essa semana eu não queria. Mas quero . 

Será que entende? Não sei , eu não entendo. 

Tenho me sentido sem ar e fria como uma morta. 

Mas meu coração está batendo. 

Vivo? 

Eu hj tô colocando essa máscara favorita e colorida e viva. 

Talvez ela funcione no fim. 

Ou no começo.

Preciso me mexer. 

Mais nada. 


terça-feira, abril 14, 2026

Sobre ser sombra e água fresca

 Gosto de como segura a minha mão na hora de dormir, como se quisesse meu toque e me sentir, mesmo no mundo dos sonhos. 

Gosto de quando não preciso de mto além de um beijo para me sentir preciosa. 

Gosto de como nossos fins de semana são regados a sonecas e suspiros. 

Gosto de saber que quer compartilhar comigo as tardes tediosas mesmo que nem sempre. 

Tenho sentido uma leveza que acho que nunca senti. Como pode ser tão simples encontrar alguém que só queira sentar e conversar comigo enquanto eu estou trabalhando na cozinha?!? 

Sinto que quando eu estou com vc , estou num limbo, confortavelmente encantado onde fico suspensa das coisas reais. 

Sinto medo, dessa corda bamba divisora que eu sinto que se aproxima, mas posso só ser louca. 

Medo de que o equilíbrio alcançado seja fantasioso. 

Medo que com um tropeço vc reconheça as imperfeições que eu fiz questão de mascarar. 

Essa coisa de ser mto minha, me dá medo de eu ser um pouco sua. E de te dar o poder de ter-me por mais do que alguns cabelos bagunçados. 

Sinto medo de fazer planos. 

E também sinto medo de que não queira fazer planos. 

Nesse jogo em que nos encontramos suspensos nesse limbo dos encontros. 

Passei por mtos momentos na vida, em que por ser facilmente amável , as pessoas não sabiam como ir embora da rede confortável de afeto que foi tecida por mim. 

E tenho medo que eu seja só isso. Um afeto confortável. Como a sensação de quem deita pra descansar debaixo da árvore  e bebe água gelada depois de caminhar mto. Esse medo de ser apenas uma árvore na jornada, que fornece sombra e água fresca aos passantes, mas que seja só passagem e não destino. 

Será que estamos todos fadados a ficar sozinhos e viver apenas desses encontros, e que o destino seja só uma brincadeira de mau gosto , criada para dar a sensação de nunca ter o que se tem?!

Aproveito enquanto isso, para te beijar sorrindo, não quero ir embora. 

No fim das contas, e depois de refletir percebo que talvez a gente seja mais passagem do que destino na vida. 

Então eu fico aqui,sendo sombra e água fresca mesmo que a sua passagem dure apenas 5 minutos, mesmo que a sua passagem dure pela vida inteira. 

domingo, abril 05, 2026

Os sorrisos secretos

 E aí vc se sente feliz e alegre, e por um ritual estranho da vida , pensa que talvez as pessoas devessem saber disso. 

Eu as vezes sofro com a ansiedade e acabou por compartilhar as tristezas e as alegrias de forma inconveniente muitas vezes. 

Lembro que no colégio foi uma das características que a psicóloga orientadora de carreira marcou como " espontaneidade as vezes inconveniente" 

E é verdade, tenho a tendência a falar para as pessoas as coisas que eu penso e sinto, não sei se com transparência, mas com bastante verdade. 

Tenho tentando me conter e a guardar nesse mundo onde todos postam alegrias como se estivessem em alguma competição. 

Será que eu estou verdadeiramente e genuinamente feliz se não tiver compartilhado? 

Tenho me esforçado pra manter alguns sorrisos secretos, junto com as dores de cabeça e com alguma parte do resto. 

As pessoas gostam de ouvir minhas histórias porque eles vem seguidas de revezes indiscretos e senso de humor. 

Mas acho que estou um pouco cansada de compartilhar minha vida e de acompanhar a vida.

... Sobre Eles ...

 Gostava de sentir sua peles se tocando com a dele. 

Gostava de se sentir envolta dentro de uma bolha de amor e conforto. 

Ela gosta de  como quando dormem, com as mãos se entrelaçando sem querer seder nenhum cm pra distância.  .

Sente seu cheiro, seu carinho e seu gosto.

Olha para quando sorri e pega um dos seus gatos no colo.  

Inspira um pouco de paz e amor, quando tudo parece meio confuso e torto. 

Depois das muitas relações, e dos medos, e dos outros. 

É difícil entender que as coisas não são sobre ela, ou sobre como as mãos se encostam. 

A ideia de serem a companhia um do outro nos dias escuros, e nos ensolarados fazia ela fechar os olhos  e se sentir grata e faminta. 

Faminta de um afeto, que demorou mto pra ser percebido. 

Afaga o gato que está na cama , meio brincando meio dormindo. E se deixa envolver no cheiro inebriante do amor que funciona.